segunda-feira, 6 de julho de 2009

ADOLESCENTE - SÓ CAMISINHA NÃO BASTA







Outro dia ouvi o pai de uma adolescente de 15 anos comentando, indignado, como a questão da relação sexual estava cada vez mais atrelada ao uso da camisinha. "Os meios de comunicação, as novelas, os filmes e as campanhas do Ministério da Saúde passam aos jovens a impressão de que transar pode, o que não pode é deixar de usar a camisinha. É a filosofia do sexo livre, onde tudo é permitido desde que a pessoa se previna contra as doenças, principalmente, a AIDS", disse ele.

A percepção deste pai, até certo ponto, não está errada. É muito importante despertar na cabeça dos jovens (e adultos) que se deve usar camisinha como prevenção contra AIDS e outras doenças sexualmente transmissíveis, além de ser também um método eficaz para evitar a gravidez indesejável. Fazer com que eles tenham conhecimento de que através do sexo pode-se obter prazer, também é importante. Mas a relação sexual, principalmente a iniciação sexual, deveria ser tratada com mais seriedade. Seriedade e não moralidade.

Há algo com que se preocupar que vai muito além das epidemias e do controle da natalidade. Pouco se fala aos jovens sobre os fatores psicológicos e emocionais que estão envolvidos numa relação sexual. Antigamente, o que mais preocupava era a tal da virgindade, feminina principalmente. Quando a mulher casava sem levantar suspeitas neste sentido, era aquele alívio. O que ia acontecer dali por diante pouco importava. E muita coisa negativa acontecia, porém não entrava em nenhuma estatística.

Muitas daquelas mulheres sentiram dores na relação sexual, outras nunca tiveram orgasmo, algumas nem desejo. Muitos homens ejaculavam precocemente, tão rápido que nem dava tempo de tirar as calças; outros não tiveram a ereção necessária para uma penetração. Mas tinham casado "bonitinho", de véu, grinalda e flores na lapela.

Hoje a virgindade ainda preocupa, mas em escala bem menor. O que se mantém é a pouca importância que se dá com o que poderá vir como conseqüência psicológica de uma iniciação sexual mal sucedida.

Por falta de diálogo, orientação e conhecimento, inúmeros meninos e meninas iniciam sua vida sexual com camisinha (como quer o Ministério da Saúde), mas sem nenhum preparo psicológico, sem maturidade. Frustrados com a experiência que não correspondeu à expectativa deles, muitos se tornam fortes candidatos a uma disfunção sexual. E acabam pertencendo a tristes estatísticas.

O Projeto Sexualidade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP por exemplo, detectou, em Pesquisa Nacional que cerca de 46% dos homens adultos brasileiros em algum momento de sua vida sofrem de disfunção erétil. Não estão incluídas aqui aquelas "brochadas" que ocorrem esporadicamente.

Para ser considerada uma disfunção sexual, o quadro tem que ser recorrente e persistir por uns bons meses. Quando vai se pesquisar as causas da dificuldade de ereção, muitas são decorrentes de problemas orgânicos, mas a maioria tem causa psicológica ou mista (psíquica e física), e entre elas, está a iniciação sexual mal feita. Com ou sem camisinha.