segunda-feira, 6 de julho de 2009

ADOLESCENTE - SOBRE UM GRANDE MITO


Masturbar-se demais faz mal à saúde? Faz crescer cabelo nas palmas das mãos? Esta é uma dúvida de muitos adolescentes. Intriga-me esta pergunta porque fico pensando se alguém neste mundo já viu outro alguém com cabelo nas palmas das mãos. Ou com a palma da mão barbeada ou depilada na tentativa de esconder tais pelos tão malditos. Então, por que esta dúvida tão fantasiosa insiste em resistir durante tantas gerações? Ela também foi dúvida de nossos pais, avôs, bisavós etc.

A partir deste ponto, começo a pensar na necessidade que o ser humano tem de manter vivos mitos que ele sabe que são completamente sem propósito. Temos a mania de pensar o que, pela lógica, deveria ser impensável. Envergonhados mantemos certos mitos em segredo, de tão absurdos que são, mas quando encontramos uma oportunidade o questionamos: "masturbar demais faz nascer cabelo nas palmas das mãos?".

Apesar das mudanças de hábitos, ainda pertencemos a uma cultura na qual nossas crianças, adolescentes e até adultos não se sentem tão livres para falar sobre questões sexuais, o que cria neles certa angústia e, por tabela, muita fantasia. Existe uma enorme quantidade de mitos ligados ao sexo. E guardá-los em segredo não ajuda em absolutamente nada.

Conheço inúmeros pais que não ensinam a seus filhos nada sobre sexo e nem deixam alguém fazê-lo. Conheço muitas escolas que, como os pais, agem como se estivessem guardando um grande segredo, quando suas crianças e adolescentes lhes perguntam algo sobre sexo. E também conheço muito adolescente que não tem coragem de perguntar nada sobre sexo. Com isto todos colaboram para a construção e a preservação de mentiras.

Assim, os mitos tomam o lugar da normalidade e enchem a mente de concepções (e falsas concepções) absurdas, assustadoras, engraçadas e apavorantes sobre o que a sexualidade é e não é, e sobre como ela deveria manifestar-se em forma de pensamentos e comportamentos normais e anormais. E do mito nasce a culpa. A culpa do que foi feito e, também, do que foi apenas desejado. Da culpa nasce a vergonha. A vergonha que contamina as emoções, o pensamento e o comportamento. Já passou da hora de pensarmos o sexo e a sexualidade como algo natural, de falarmos deles como algo normal e de termos bom senso de questionar e analisar as respostas que são dadas às nossas dúvidas.

Em tempo: masturbar demais não faz mal à saúde. Não faz mal a nada. O que é ruim é recusar o convite de sair com um amigo para ficar em casa se masturbando; ou deixar de ir a uma partida de futebol (que até outro dia eu adorava) só para ficar em casa se masturbando; ou ainda deixar de curtir aquele fim de tarde no bar da "paquera", para ficar no quarto se masturbando. Aí sim há um problema. Se o lazer e o prazer estão apenas na masturbação algo, lá dentro da cabecinha, anda descontrolado. E é preciso descobrir o quê